Depois do dia 31 de Março de 2011 a vida não foi mais a mesma. Surgiram um sem fim de palavras novas que dantes teriam o seu significado num qualquer teste de neurologia (e imagino um aluno de Medicina aflito a imaginar um quadro clínico para as poder aplicar) e, de repente, passaram a existir no meu dia-a-dia.
Avc, hematoma epidural, zona-cinzenta dos neurónios, hemiparésia, hemianópsia, fisioterapia neuro-funcional, diazepam, convulsivar, TAC e tantas outras...umas que me ficaram a ecoar dias a fio, outras que esqueci mas que se as ouvir despertam em mim um sentimento frio...
Como o cheiro dos adesivos médicos. Como a imagem duma criança entubada. Como aquele barulho profundo e constante dos alarmes das máquinas da Unidade de Cuidados Intensivos...dia e noite, madrugada adentro, sons que ficam gravados na memória.
E outros que estranhamente não me lembro, como as vozes das pessoas que corriam naquela noite, as ordens que davam, aquilo que me diziam...
Foi no dia 31 de março de 2011.