quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Passou um ano desde o último post, não que de repente as coisas tenham ficado arrumadas e esquecidas mas porque custa olhar para uma página em branco e tentar escrever sobre a doença do nosso filho.
Tinha muitas esperanças que dois anos depois ele já fosse uma criança completamente normal e integrada, sem qualquer diferença em relação aos seus pares...
A verdade é que um longuíssimo caminho foi percorrido e esse caminho teve muitas vitórias.
Mas também teve muitos baldes de agua fria.
Em 2011, depois de termos tido alta do Hospital de Santa Maria iniciámos a fisioterapia. Duas vezes por semana, fizesse chuva ou fizesse sol lá ia eu com o meu filho às sessões de fisioterapia. É dilacerante pegar numa criança com 8 meses que não senta e não mexe metade do corpo.
Engraçado que, por mais que puxe pela memória, não tenho nenhuma imagem daquelas primeiras sessões, como se eu também tivesse sido acometida por uma amnésia temporária.
Apesar da simpatia, profissionalismo e disponibilidade da médica fisiatra - que já nos conhecia do internamento - a verdade é que, a certa altura, achei que tinha que procurar outro local para o meu filho fazer fisioterapia.
 E foi aí que percorri clínicas e hospitais até acabei ao telefone com o Hospital da Luz, serviço de medicina física e reabilitação.
Foi dum dia para o outro que arranjei consulta com a Dra. Ana Paula Soudo e foi, dum dia para o outro, que me arranjaram vaga para começar as sessões de fisioterapia com a terapeuta Paula Valério.
Um nome que ainda hoje me provoca uma onda de carinho imenso, um agradecimento profundo, tão profundo quanto se pode ter por uma pessoa que pega no nosso filho e o transforma. Lhe dá outra viva. O ensina a sentar, a levantar, a andar, a correr...

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Depois do dia 31 de Março de 2011 a vida não foi mais a mesma. Surgiram um sem fim de palavras novas que dantes teriam o seu significado num qualquer teste de neurologia (e imagino um aluno de Medicina aflito a imaginar um quadro clínico para as poder aplicar) e, de repente, passaram a existir no meu dia-a-dia.

Avc, hematoma epidural, zona-cinzenta dos neurónios, hemiparésia, hemianópsia, fisioterapia neuro-funcional, diazepam, convulsivar, TAC e tantas outras...umas que me ficaram a ecoar dias a fio, outras que esqueci mas que se as ouvir despertam em mim um sentimento frio...

Como o cheiro dos adesivos médicos. Como a imagem duma criança entubada. Como aquele barulho profundo e constante dos alarmes das máquinas da Unidade de Cuidados Intensivos...dia e noite, madrugada adentro, sons que ficam gravados na memória.

E outros que estranhamente não me lembro, como as vozes das pessoas que corriam naquela noite, as ordens que davam, aquilo que me diziam...

Foi no dia 31 de março de 2011.